segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Gira-discos portátil

 






Na década de 1970, a portabilidade de um aparelho era um conceito arrojado. Uma coisa era levar um rádio para todo o lado, um gira-discos implicava outro tipo de preparação. Este da foto leva-me às recordações de um rio a correr suavemente numa tarde de verão, o som das crianças a brincar, os pais a fumar Gitanes como se não houvesse amanhã e as mulheres a pousar delicadamente a toalha para o piquenique. 

Este simpático modelo Phillips era alimentado por nove pilhas gigantes. Era e é, porque ainda funciona bem. Dava ares de um certo 'status' aparecer com ele nas festas. Tínhamos era que levar imensos discos, hoje é mais simples: uma entrada USB e memória para milhares de ficheiros e está montado o palco. São artigos que ainda se descobrem em algumas feiras e espaços online, muito populares entre colecionadores. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Secla - cerâmica hiper vintage



Na cozinha também ficam bem peças vintage que podemos utilizar no dia a dia. E não há mais vintage que estas belas peças da Secla, um pimenteiro, saleiro e mostardeira em faiança pintados com girassol. Fazíamos coisas bonitas e com extraordinária qualidade no passado. A Secla (Sociedade de Exportação e Cerâmica, S.A.) iniciou a sua atividade em 1947, nas Caldas da Rainha, e encerrou em 2008. Exportou para todo mundo. Hoje não resta mais do que a memória (o edificio foi demolido) e a extraordinária qualidade dos artigos que ainda são muito desejados. 

sábado, 18 de fevereiro de 2023

Caixa de madeira vintage da Martini

 

Uma caixa de madeira da Martini, provavelmente da década de 1960. Os ingleses chama-na de wood box crate. Encontrei-a abandonada em Matosinhos, na zona dos restaurantes, e estava tão suja que só quando a limpei percebi que se tratava de uma caixa com pegas da Martini. A madeira é resistente e o design vintage dá-lhe um certo glamour. Serve para guardar alguns livros da coleção, mas já vi móveis de gavetas feitos inteiramente com este tipo de caixas publicitárias e que serviriam, no seu tempo, para carregar garrafas. 





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Crónica Feminina - a revista

Fundada em 1956 pela Agência Portuguesa de Revistas, empresa que entrou em insolvência em 1988, a 'Crónica Feminina' foi visita de casa durante muitos anos, até aparecer a 'Maria' a roubar-lhe a cena. Acho que muito da decadência da 'Crónica Feminina' se deveu a essa mudança de paradigma introduzida por revistas estrangeiras, mas especialmente pela 'Maria', que trouxe temas fraturantes a uma sociedade que começava a abrir-se na década de 1980.

Este exemplar é mais tardio, de 2 de fevereiro de 1984, com Eládio Clímaco na capa. Ler a 'Crónica Feminina' é fazer uma viagem ao passado. Abre-nos um sorriso pela singularidade dos temas. A fotonovela, que tornou a revista famosa, e os pequenos aniversariantes (pagava-se para aparecer na revista), os anúncios, tudo nos remete para um Portugal muito diferente do atual.





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Imagem do dia



 

Bomboneira CF Martin Benito




Será, porventura, a peça mais requintada com que me cruzei nos últimos tempos,
um clássico da década de 1950: a bomboneira CF assinada por Martin Benito. O trabalho manual desta peça é épico, pesa mais de um quilo e é constiuída por cristal de elevada qualidade, com cobalto que lhe dá as tonalidades avermelhadas. Os valores da peça podem variar, em função do seu estado e antiguidade. A minha tem ligeiras esbeiçadelas na tampa. (https://www.1stdibs.com/furniture/decorative-objects/boxes/decorative-boxes/cristal-benito-france-cobalt-blue-cut-crystal-lidded-box/id-f_12004983/). 

A família Benito, radicada em França, tem três gerações e ainda hoje existe com a designação de Cristal Benito (https://www.cristal-benito.fr/en/histoire-et-entreprise/). Originários de Espanha, os Benito começaram a sua aventura empresarial na área das rolhas, em 1952. Martin, filho de José, tornou-se num extraordinário lapidador de cristal (começou aos 14 anos) e depressa o pai reconverteu a atividade da empresa, passando a chamar-se Cristal Frères (CF). Esta peça é desse período e tem, no fundo, a assinatura de Martin Benito e as iniciais da empresa, CF. 

Hoje, a empresa é gerida por Franck Benito e desde 2004 que tem a designação de Cristal Benito. As peças são vendidas por lojas selecionadas. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Mala de cartão antiga



Um dia conto a história desta mala de cartão da década de 1960, completamente original, que era do meu pai quando decidiu fugir da pobreza e encontrar em França bases para criar uma família. Por agora, que tal este aproveitamento para guardar pequenas memórias?

Ferro de engomar Allez Frères Au Chatelet











Nem todas as peças têm de ser caras para valorizar um pequeno canto da nossa casa. Este ferro antigo, com cerca de 100 anos, custou-me 10 euros, que é mais ou menos o valor a que são vendidos em feiras de antiguidades. Estava muito sujo e apenas conseguia descortinar a cidade de origem, Paris. Achei graça, porque Paris foi onde nasci. Depois de o limpar cuidadosamente fui procurar a origem. Foi surpreendentemente fácil. Através de um arquivo online de uma biblioteca cheguei ao fabricante: Établissements Allez frères, um estabelecimento enorme na rua Saint-Martin, em Chatelet. Já não existe. Um catálogo da época mostra o artigo que comprei, vendido em vários tamanhos. O meu é o 5, intermédio. A partir de 1937, o estabelecimento passou a ser conhecido apenas por Au Chatelet. 

 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Gato e cão, vidro azul de Empoli


Volta e meia pego numa escada e subo ao sótão da casa dos meus pais para vasculhar mais de 50 anos de peças esquecidas. Este par, um gato e um cão em vidro azul, fazem parte da minha infância. Recordo-me deles cuidadosamente guardados na estante da sala a observar-me. São peças vintage, de origem italiana, feitas com vidro azul de Empoli. Foram vendidos, provavelmente, aos milhares, mas sobraram poucos em tão bom estado. Gato e cão, depois de libertados de anos e anos de pó, estavam como novos, sem riscos e sem lascas. São, na realidade, duas garrafas (bouteille carafe italienne, como lhes chamam os franceses, ou Genie Botlle, em inglês) e estes exemplares, dos finais da década de 1960, têm outra característica rara: as duas rolhas estão intactas, normalmente são as primeiras características a degradarem-se. Online já os vi a serem vendidos entre os 60 e 250 euros/peça, dependendo do estado. Esteticamente são muito interessantes, dão vida a uma sala e, no caso, vida a memórias muito doces da infância.  

Máquina de escrever portátil Imperial Good Companion




Sempre achei as máquinas de escrever objetos fascinantes, especialmente as mais antigas. Provavelmente construída entre 1954 e 1956, seguramente não posterior a essa data já que os outros modelos tinham um revestimento mais moderno e liso, esta Imperial Good Companion é em tudo parecido com o Model T, mas foi feita pela empresa de Leicester, em Inglaterra, para o mercado português. Percebe-se isso pelo teclado HCESAR, uma disposição de teclado de máquinas de escrever adotada em Portugal por decreto destinada a proteger a marca portuguesa Messa (para o caso pouco adiantou). Fascinante, também, é ter sido importada e vendida por um empresa inglesa sediada na Alfândega cujo principal negócio era a exportação de vinho do Porto. A caixa tem a etiqueta do vendedor/importador, com morada e um número de telefone muito antigo, sem indicador (02 ou 22). Depois de uma limpeza profunda (nunca usem óleo ou Bala, só álcool, de preferência desnaturado) esta em exposição em casa. Bonita e simples.


Feiras de velharias (fotos)